terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sociologia




SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, PRIMEIRA AULA

ESTRUTURA SOCIAL E AS DESIGUALDADES. Pouso Alegre, 5 (sexta feira) de agosto.

I –  Estrutura e estratificação social.. Prof.º António Vasconcelos.


A estrutura social é o que define determinada sociedade. Ela se constitui da relação entre os vários fatores – econômicos, políticos, históricos, sociais, religiosos culturais – que dão uma feição para cada sociedade.  Uma das características da estrutura de uma sociedade é sua estratificação, ou seja, a maneira como os diferentes indivíduos e grupos são classificados em estratos (camadas) sociais e o modo como ocorre a mobilidade de um nível para outro.
A estratificação social foi analisada pelo sociólogo brasileiro Octávio Ianni, “Teorias da estratificação social”.  Estudou as diferentes sociedades, com base, fundamentalmente, na forma como os indivíduos organizam a produção econômica e o poder político. Verificando “como as sociedades organizam as estruturas de apropriação (econômica) e dominação (política)”
As sociedades organizadas em castas. O sistema de castas é uma configuração social de que se tem registro em diferentes tempos e lugares. Exemplos: Grécia e China. E atualmente na Índia. . 
A sociedade indiana começou a se organizar em catas e sub-castas há mais de 3 mil anos, adotando uma hierarquização baseada em religião, etnia, cor, hereditariedade e ocupação. Esses elementos definem a organização do poder político e a distribuição de riqueza gerada pela sociedade.  A Sociedade indiana hoje está estruturada em classes, mas o sistema de castas permanece mesclado a ela, o sistema sobrevive por força da tradição, pois foi legalmente abolido em 1950.
Existem quatro grandes castas na índia, a saber: a) a dos brâmanes (casta sacerdotal, superior a todas as outras); b) a dos xátrias (casta intermediaria, formada normalmente pelos guerreiros, que se encarregam do governo e da administração pública); c) a dos vaixás (casta dos comerciantes, artesões  e camponeses, que se situam abaixo dos xátrias); d)  a dos sudras (casta dos inferiores, na qual se situam aqueles que fazem trabalhos manuais considerados servis). Os párias são os que não pertencem a nenhuma casta, e vivem, portanto, fora das regras existentes. Entretanto, há ainda um sistema de castas regionais que se subdividem em outras tantas sub-castas.
O sistema de castas caracteriza-se por relações muito estanques, isto é, quem nasce numa casta não tem como sair dela e passar para outra. Não há, portanto, mobilidade social nesse sistema. Os elementos mais visíveis da imobilidade social são a hereditariedade , a endogamia (casamento só entre membros da mesma casta), as regras relacionadas à alimentação (as pessoas só podem ter refeições com os membros da própria casta e com alimentos preparados por elas mesmas) e a proibição do contato físico entre membros das castas inferiores e superiores. Repulsão, hierarquia e especialização hierárquica: são palavras-chave para definir o sistema de casta, conforme o sociólogo francês Céléstin Bouglé (1870-1939), discípulo de Durkeim.

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Que é estrutura social?
2.      Que é estratificação social?
3.      Quais as características do sistema de casta?
4.      Cite as Castas da Índia e suas características?
5.      Que é classe social?







SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, SEGUNDA AULA

ESTRUTURA SOCIAL. Pouso Alegre, 12 (sexta feira) de agosto.

II – Castas indianas e japonesas. Discente: António Vasconcelos.

Mas nenhum sistema é totalmente rígido, nem o de castas. Embora seja proibido, as castas inferiores adotam costumes, ritos e crenças dos brâmanes, isto cria uma certa homogeneidade de costumes entre castas. A rigidez das regras também é relativizada por casamentos entre membros de castas diferentes (menos com os brâmanes), o que não é comum, mas acontece.
“[...] a palavra casta parece despertar, de inicio, a ideia de especificação hereditária. Ninguém, a não ser o filho, pode continuar a profissão do pai; e o filho não pode escolher outra profissão a não ser a do pai. [..] É um dever de nascimento. [...]. a palavra casta não faz   pensar apenas nos trabalhos hereditariamente divididos, e sim, também nos direitos desigualmente repartidos. Quem diz casta não diz apenas monopólio, diz também privilegio. [...]. O “estatuto” pessoal de uns e de outros é determinado, por toda vida, pela categoria do grupo ao qual pertencem. [...]. Quando declaramos que o espírito de casta reina em uma sociedade, queremos dizer que os vários grupos dos quais essa sociedade é composta se repelem, em vez de atrair-se, que cada um desses grupos se dobram sobre si mesmo,  se isola, faz quando pode para impedir  seus membros de contrair aliança ou, até, de entrar em relação com os membros dos grupos vizinhos. [...]. Repulsão, hierarquia e especialização, o espírito de casta reúne essas três tendências. Cumprir-se retê-las a todas se se quiser chegar a uma definição completa do regime de castas”. (IANNI, Octávio. Teorias da estratificação social. São Paulo: Nacional, 1973, p.90-91). 
A desigualdade com base nas castas é não coisa do passado no Japão, apesar da toda a modernização e da presença da alta tecnologia. Oficialmente elas terem sido abolidas em 1871. A casta de maior importância era a dos samurais, seguida, em ordem decrescente, pela dos agricultores, pela dos artesões e pela dos comerciantes. Havia ainda os párias (os desclassificados) – entre eles, os hinins, aqueles que eram considerados “não gente”, como mendigos, coveiros, mulheres adulteras e suicidas fracassados e os burakumins, pessoas encarregadas de matar, limpar e preparar os animais para o consumo.   Os descendentes dos burakumins, certa de 3 milhões de pessoas, ainda vivem segregados e dificilmente conseguem empregos que não sejam de lixeiros, limpadores de esgotos ou de ruas. Quando revelam sua descendência, a vida deles é sempre investigada, seja no ato de pedir emprego, seja nas tentativas de se casar.   

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Quais as características das castas?
2.      Cite as castas do Japão e suas características?
3.      Que são os párias?





 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, TERCEIRA AULA

ESTRUTURA SOCIAL E AS DESIGUALDADES. Pouso Alegre, 19 (sexta feira) de agosto. Discente: António Vasconcelos.

III – As Sociedades organizadas por estamento

O sistema de estamentos ou estados constitui outra forma de estratificação social. A sociedade feudal organizou-se dessa maneira. Na França, por exemplo, no final do século XVIII, às vésperas da revolução havia três estados: a nobreza, o clero e o chamado terceiro estado, que incluía todos os outros membros da sociedade – comerciantes, industriais, trabalhadores urbanos, camponeses, etc.
Nas palavras de Octávio Ianni, no livro Teorias da estratificação social, “a sociedade estamental [...] não se revela e explica apenas no nível das estruturas de poder e apropriação. Para compreender os estamentos (em si e em suas relações recíprocas e hierárquicas) é indispensável compreender o modo pelo qual categorias tais como tradição, linguagem, vassalagem, honra e cavalheirismo  parece predominar  no pensamento e na ação das pessoas”.
Assim, o que identifica um estamento é o que também o diferencia, ou seja, um conjunto  de direitos e deveres, privilégios e obrigações que são aceitos como naturais e são publicamente reconhecidos, mentidos e sustentados pelas autoridades oficiais e também pelos tribunais.
 Numa sociedade que se estrutura por estamentos, a condição dos indivíduos e dos grupos em relação ao poder e à participação na riqueza produzida pela sociedade não é somente uma questão de fato, mas também de direito. Na sociedade feudal, por exemplo, os indivíduos eram diferenciados desde que nasciam, ou seja, os nobres tinham privilégios e obrigações que em nada se assemelhavam aos direitos e deveres dos camponeses e dos servos, porque a desigualdade, além de existir de fato, transformava-se em direito. Existia assim, um direito desigual para desiguais.
A possibilidade de mobilidade de um estamento para outro existia, mas era muito controlado – alguns chegavam a conseguir títulos de nobreza, o que, no entanto, não significava obter o bem maior, que era a terra. A propriedade da terra definia o prestigio, a liberdade e o poder dos indivíduos. Os que não a possuíam eram dependentes, econômica e politicamente, além de socialmente inferiores. O que explica, entretanto, a relação entre os estamentos é a reciprocidade.   No caso das sociedades no período feudal, existia uma série de obrigações dos servos para com os seus senhores (trabalho) e destes para com aqueles (proteção), ainda que camponeses e servos estivessem sempre em posição de inferioridade.
Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Que é estamentos?
2.      Cite os estamentos da idade média e suas características?
3.      Como é uma sociedade de estamentos?
4.      Quais as características da sociedade de mobilidade e a de imobilidade de estamentos?





 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, QUARTA AULA

A ESTRUTURA SOCIAL E AS DESIGUALDADES. Pouso Alegre, 26 (sexta feira) de agosto. Discente: António Vasconcelos.

IV – Sociedade organizada por estamento – continuação.

Entre os proprietários de terras, havia uma relação de outro tipo: um senhor feudal (suserano), exigia serviços militares e outros serviços dos senhores a ele subordinados ( vassalos) formava-se, então, uma rede de obrigações recíprocas, como também de fidelidade observando-se uma hierarquia  cujo topo estavam os que dispunham de mais terras e mais homens armados. Mas o que prevalecia era a desigualdade como um fato natural.   
            Um exemplo dado pelo sociólogo brasileiro José de Souza Martins ilustra bem isso. Ele declara, em seu livro “A sociedade vista do abismo: novos estudos sobre exclusão, pobreza e classes sociais” que durante uma pesquisa no Mosteiro de São Bento, na cidade de São Paulo, encontrou um livro da segunda metade do século dezoito XXVIII, no qual havia dos registros de doações (esmolas): uma feita para um nobre pobre (os nobres podiam tornar-se pobres, mas não perdiam a condição de nobres), que recebeu 350 réis; outras para um pobre que não era nobre, que recebeu 20 réis. Comenta o sociólogo que “um nobre pobre, na consciência social da época e na realidade das relações sociais, valia dezesseis vezes um pobre que não era nobre [...], porque as necessidades de um pobre eram completamente diferentes das necessidades sociais de um pobre apenas pobre”.
Atualmente, se alguém decide dar esmola a uma pessoa que está em situação precária, jamais leva em consideração as diferenças sociais de origem do pedinte, pois parte do pressuposto de que são puramente econômicas. José de Souza Martins conclui que basicamente é isto o que distingue estamento de classe social.
Hoje, muitas vezes utilizamos o termo estamento para designar determinada categoria ou atividade profissional que tem regras muito precisas para que se interesse nela ou para que o indivíduo se desenvolva nela, com um rígido código de honra e de obediência. – por exemplo, a categoria dos militares ou dos médicos. Assim, usar as expressões ”estamento militar” ou “estamento médico” significa afirmar as características que definiam as relações na sociedade estamental.  A seguir, um texto escrito no período medieval, a saber:  “A ordem eclesiástica não se compõe de um só corpo. Em troca, sociedade está dividida em três ordens. Além da já citada, a lei reconhece outras duas condições: a do nobre e a do servo que não são regidas pela mesma lei. Os nobres são os guerreiros, os protetores das igrejas, defendem a todo povo, aos grandes da mesma forma que os pequenos e ao mesmo tempo se protegem a eles mesmos. A outra condição é a dos servos, esta raça de desgraçados não possuem nada sem sofrimento, fornecem provisões e roupas a todos, pois, os homens livres não podem valer-se sem eles. Assim, pois, a cidade de Deus que é tomada como una, na realidade é tripla. Alguns rezam, outros lutam e outro trabalha. As três vivem juntas e não podem ser se paradas. Os servos de cada uma dessas ordens permitem os trabalhos das outras e cada uma por sua vez presta apoio às demais. Enquanto esta lei esteve em vigor, o mundo ficou em paz, mas, agora, as leis se debilitam e toda a paz desaparece. Mudam os costumes dos homens e muda também a divisão da sociedade”. 

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Quais as responsabilidades do proprietário de terras?
2.      Quais os critérios das doações feitas no Mosteiro de São Bento?
3.      Cite as três ordens de estamentos e suas características?
4.      Enquanto as três ordens estavam juntas, eram como?
5.       



 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, QUINTA AULA

A ESTRUTURA SOCIAL E AS DESIGUALDADES. Pouso Alegre, 2 (sexta feira) de Setembro. Prof. António Vasconcelos.

V - estamento – continuação; Sociedade capitalista e as classes sociais.


Uma indicação de consciência estamental a que me refiro está nos crimes de adolescentes. [...] A gangue de adolescentes que numa madrugada de abril de 1997 queimou vivo um índio pataxó hã-hã-hãe que dormia num banco de um ponto de ônibus, em Brasília, agiu orientada por motivações estamentais. Isso ficou claro quando alegaram ter cometido o crime, porque pensaram que se tratava de um mendigo. Isto é, para eles há duas humanidades qualitativamente distintas, uma mais humana (a deles) e outra menos humana (a dos mendigos). Eles invocam, portanto, distinções baseadas na idéia de que as diferenças sociais não são apenas diferenças de riqueza, mas diferenças de qualidade social das pessoas, como era próprio da sociedade estamental feudal.
O termo classe costuma ser empregado de muitas maneiras. Diz-se, por exemplo, “alguém tem classe”, “classe política”, “classe dos professores”, etc. essas são as formas que o senso comum utilizar para caracterizar determinado tipo de comportamento ou para definir certos grupos sociais ou profissionais.
Sociologicamente, utiliza-se o termo classe na explicação da estrutura da sociedade capitalista com base na classificação ou hierarquização dos grupos sociais. Assim, quando se consideram as profissões, deve-se falar em categoria profissional dos professores, advogados, etc.
A sociedade capitalista é dividida em classes e, como tal, tem uma configuração histórico-estrutural particular. Nela está muito evidente que as relações e estruturas de apropriação (econômica) e de dominação (política) definem a estratificação social. Os outros fatores de distinção e diferenciação, como a religião, a honra, a ocupação e a hereditariedade, apesar de existirem, não possuem força que têm nos sistemas de castas e de estamentos. A produção e o mercado tornam-se os elementos mais precisos de classificação e mobilidade social. Assim, as classes sociais expressam, no sentido mais preciso, a forma como as desigualdades se estruturam na sociedade capitalista.   
Hierarquização e mobilidade. Pode-se afirmar que existem duas grandes maneiras, com suas variações, de pensar a questão das classes: considerando a posição dos indivíduos e grupos no processo de produção ou considerando a capacidade de consumo como fator de classificação. No primeiro caso, pode-se ter uma hierarquização dos grupos como a seguinte: classes dos proprietários de terra, burguesa (industrial e financeira), pequeno-burguesa ou média, trabalhadora ou operária. No segundo, tem-se: classe alta, media e baixa ou, então, variações como classes A, B, C, D, e E. 

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Quais as características de estamentos no acontecimento de Brasília?
2.      Popularmente quais as caracterizações da classe?
3.      Sociologicamente o que é classe?
4.      Quais as classes e suas características?
5.      Quais as relações entre classes e estamentos?




 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, SEXTA AULA

A ESTRUTURA SOCIAL E AS DESIGUALDADES. Pouso Alegre, 9 (sexta feira) de Setembro. Prof. António Vasconcelos.

V I-  Classes sociais – continuação; hierarquização e mobilidade.

As sociedades modernas caracterizam-se, em grau variável pelas desigualdades:
·         Na apropriação da riqueza gerada pela sociedade, expressa normalmente pela propriedade e pela renda, mas que aparece também no consumo de bens;
·         Na participação nas políticas, manifestando-se pelo maior ou menor poder           que indivíduos e grupos têm de dividir, ou forçar decisões a seu favor, e de deter o poder econômico na sociedade;
·         Na apropriação dos bens simbólicos, que se expressa no acesso à educação e aos bens culturais, como museus, teatros, livros etc.
As questões que envolvem propriedade, renda, consumo, educação formal, poder e conhecimento, vinculadas ou não, definem a forma como as diferentes classes participam da sociedade. Observadas diretamente ou pelos meios de comunicação, as desigualdades nas sociedades modernas, sejam estas desenvolvidas ou não, são incontestáveis, expressando-se na pobreza e na miséria.
A mobilidade social nas sociedades capitalistas é maior do que nas divididas em castas ou estamentos, mas não é tão ampla quanto pode parecer. As barreiras para a ascensão social não estão escritas nem são declaradas abertamente, mas estão dissimuladas nas formas de convivência social.
Karl Marx colocou a questão das classes no centro de sua análise da sociedade dos indivíduos. Afirmou que as sociedades capitalistas são regidas por relações em que o capital e o trabalho assalariado são dominantes e a propriedade privada é o fundamento e o bem maior a ser preservado.  Nesse contexto, pode se afirmar que existem duas classes fundamentais: a burguesia, que personifica o capital, e o proletariado, que vive do trabalho assalariado. Elas são contraditórias, mas também complementares, pois uma não pode existir sem que a outra exista. Convivem sob um conflito de interesses e de visão do mundo. Para ele, não há uma classificação apriori das classes em dada sociedade.
A estrutura de classes na sociedade capitalista é o próprio movimento interno dessa estrutura, sendo o antagonismo entre a burguesia e o proletariado a base da transformação social. Essa questão, a luta de classe, é fundamental no pensamento marxista, pois nela está a chave para se compreender a vida social contemporânea e transformá-la. E por luta de classe entende-se não somente o confronto armado, mas também todos os procedimentos institucionais, políticos, legais e ilegais de que a classe dominante se utiliza para manter o status quo.    

 Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Cite os tipos de desigualdades nas sociedades modernas?
2.      Cite as duas classes e suas características para Marx?
3.      Quais as características da estrutura de classe na sociedade capitalista?
4.       



 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, SÉTIMA AULA

A ESTRUTURA SOCIAL E AS DESIGUALDADES. Pouso Alegre, 16 (sexta feira) de Setembro. Prof. António Vasconcelos.

V II-  Classes sociais – continuação; hierarquização e mobilidade.

“De todas as classes que hoje em dia se compõem à burguesia, só o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionária. As outras classes degeneram e perecem com o desenvolvimento da grande indústria; o proletariado, pelo contrário, é seu produto mais autentico”.  (Karl Marx, O Manifesto comunista).
Desigualdades de riqueza, prestígio e poder, Max Weber, ao analisar a estratificação social em uma sociedade, parte da distinção entre as seguintes dimensões:   
·         Econômica – quantidade de riqueza (posses e renda) que as pessoas possuem;
·         Social – status ou prestígio que as pessoas ou grupos têm, seja na profissão, seja no estilo de vida;
·         Política – quantidade de poder que as pessoas ou grupos detêm nas relações de dominação em uma sociedade.
Partindo desses três dimensões, ele afirma que muitas pessoas podem ter renda e posses, mas não prestígios, nem status, nem posição de dominação. Um indivíduo que recebe uma fortuna inesperada, por exemplo, não conquistará, necessariamente, prestígio ou poder. Outras podem ter poder e não ter riqueza correspondente à dominação que exercem. Outras pessoas, ainda, podem ter certo status e prestígio na sociedade, mas não possuir riqueza nem poder.
Para Max Weber, classe é todo grupo humano que se encontra em igual situação de classe, isto é, os membros de uma classe têm as mesmas oportunidades de acesso a bens, a posição social e a um destino comum. Essas oportunidades são derivadas, de acordo com determinada ordem econômica, das possibilidades de dispor de bens e serviços.
            Classes e situação de classe. “podemos falar de uma “classe”quando:
1.       Certo número de pessoas tem em comum um comportamento causal especifico em suas oportunidades de vida, e na medida em que;
2.       esse comportamento é representado exclusivamente pelos interesses econômicos da posse de bens e oportunidades de renda, e
3.      é representado sob as condições de mercado de produtos ou mercado de trabalho.
O capitalismo só é dinâmico porque é desigual, e todas as políticas que propõem a igualdade de condições levam os indivíduos a não lutar por melhores posições, reduzindo a competição entre si.  

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Quais as três dimensões para analisar a estratificação social e suas características?
2.      Quando se pode falar em classe?
3.      Por que o capitalismo é dinâmico?
4.      Que é classe social e suas características?
5.      Quais as classes sociais?  Suas características.





SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, OITAVA AULA

A ESTRUTURA SOCIAL E AS DESIGUALDADES. Pouso Alegre, 23 (sexta feira) de Setembro. Prof. António Vasconcelos.

VIII-  Classes sociais – continuação; capitalismo e desigualdades.

Max Weber também escreve sobre as lutas de classes, mas, diferentemente de Marx, afirma que elas ocorrem também no interior de uma mesma classe. Se houver perda de prestígio, de poder ao até de renda no interior de uma classe ou entre classes, poderão ocorrer movimentos de grupos que lutarão para mantê-los e, assim, resistirão às mudanças. Ela não vê a luta de classe como motor da história (Karl Marx), mas como uma das manifestações para a manutenção de poder, renda ou prestígio e uma situação histórica especifica.  Essa perspectiva permite entender muitos movimentos que aconteceram desde a Antiguidade até hoje.
O capitalismo só é dinâmico porque é desigual, e todas as políticas que propõem a igualdade de condições levam os indivíduos a não lutar por melhores posições, reduzindo a competição entre si. Stuart O capitalismo na encruzilhada, afirma  que a exclusão social é o futuro do capitalismo. 

 A Fome no mundo:
Ao se iniciar o século XXI, cerca de 800 milhões de pessoas, das quais 300 milhões de crianças eram vítimas de fome crônica. Além disso, mais da metade das mortes de crianças menores de cinco anos podia ser atribuída à falta de alimentos ou à nutrição, apesar de o mundo existirem recursos suficientes para satisfazer as necessidades alimentícias de toda a humanidade. A situação mais grave é vivida no continente africano, onde vivem pelo menos 200 milhões de pessoas afetadas pela fome, das quais 40% necessitam de ajuda alimentícia de emergência. O problema da fome é mais patente nas áreas rurais: três de cada quatro pessoas pobres vivem no campo e, se o êxodo rural no mundo continuar no ritmo atual, 60% dos pobres possuirão vivendo nas áreas rurais no ano de 2020. Apesar dessa situação, o dinheiro que os países ricos destinaram à ajuda oficial para o desenvolvimento diminui na ultima década do século XX, passando de 14 milhões no fim dos anos1980 para 8 bilhões  de dólares no inicio de 2000.     

Globalização aumenta desigualdades sociais. Dados da UNU e OIT.  Entre os números apresentados estão os seguintes: 185 milhões de pessoas estão desempregadas no planeta (6,2% da força de trabalho), um recorde mundial. 

Dadas da UNU. Metade da população feminina não têm emprego, contra 30% da população masculina. Quase dois terços dos analfabetos adultos do mundo são mulheres. Mesmo com nível educacional igual ou superior a dos homens, as mulheres ganham salários menores no mesmo emprego. Uma em cada três mulheres no mundo é ou será vitima de algum tipo de violência, prioritariamente sexual. E 50% das ações violentas são cometidas contra meninas de até 15 anos.     

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Quais as características das classes em Max Weber?
2.      Quais as características do capitalismo para Weber?
3.      Qual o futuro do capitalismo?
4.      Por que tanta morre de fome. Faça uma relação com o sistema capitalista?
5.      Quais as raízes das desigualdades sociais?
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SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, NONA AULA
MUDANÇA SOCIAL E SOCIOLOGIA. Pouso Alegre, 30 (sexta feira) de Setembro.

IX -  Augusto Comte.

Prof. António Vasconcelos


Dos pensadores do século XIX, Comte foi um dos que mais influenciou o pensamento social posterior. Desde cede rompeu com a tradição familiar, monarquista e católica, tornou-se republicano, adotando as idéias liberais, e passou a desenvolver uma atividade política e literária que lhe permitiu elaborar uma proposta para resolver os problemas da sociedade de sua época. Toda sua obra está permeada pelos acontecimentos da França pós-revolucionária. Defendendo sempre o espírito da Revolução Francesa de 1789 e criticando a restauração da monarquia (antigo regime), Comte se preocupou fundamentalmente com a organização da nova sociedade que estava em ebulição e em grande confusão. Comte acreditava que a mudança social estava na mente, na qualidade e na quantidade de acontecimentos sobre a sociedade. Com base nisso, ele firmou que a humanidade percorreu três estágios no processo da evolução do conhecimento:
·         Primeiro estagio – teológico. As pessoas atribuíam a entidades e forças sobrenaturais as responsabilidades pelos acontecimentos. Essas entidades podiam ser os espíritos existentes nos objetos, animais e plantas (fetichismo), vários deuses (politeísmo), ou um único e onipotente (monoteísmo).  Representado pela tela de Giotto “Crucifixo”, 1320-1325).    
·         Segundo estágio – metafísico, filosófico. Surgiu quando as entidades sobrenaturais foram substituídas por idéias e causas abstratas e, portanto, racionais. Seria o momento da filosofia. Representado pela obra de Rafael, A Escola de Atenas, 1511.
·           Terceiro estagio – positivo, científico. Correspondente  à era da ciência e da industrialização, na qual se invocam leis com base na observação empírica, na comparação e na experiência. Seria o momento da Sociologia. Pode representado pela tela de Homeré Daumier, “O encontro dos Advogados”, 1880.
Esse último estágio ampliado porque a ciência tem desenvolvimento continuo, sempre em busca de mais conhecimentos, que geram um crescimento quantitativo e qualitativo constante. Em termos sociológicos, Comte dividiu seu sistema em dois campos: o estático e o dinâmico, que estariam expressos nas palavras ordem e progresso. Toda mudança, isto é, o progresso, deveria estar condicionada pela manutenção da ordem social. Nesse sentido, sua opção era conservadora, pois admitia a mudança (progresso), mas limita-a a situações que não alterassem profundamente a situação vigente (ordem). A expressão que pode resumir bem o seu pensamento é: “nem restauração nem revolução”, isto é, não devemos voltar à situação feudal nem querer uma sociedade diferente desta em que vivemos.
Para nós, brasileiros, isto é muito claro, pois, desde a instauração da República, assumiu-se no País o lema positivista, “ordem e progresso”, que norteia as ações dos que dominam nossa sociedade.

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Qual a principal preocupação de Comte?
2.      Donde vêm as mudanças sociais?
3.      Quais os estágios que a sociedade percorreu e suas características?
4.      Em termos sociológicos como Comte dividiu seu sistema e suas características?
5.      Diferencie ordem e progresso?




 



SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, DÉCIMA AULA
MUDANÇA SOCIAL E SOCIOLOGIA. Pouso Alegre, 7 (sexta feira) de Outubro.

X – Karl Marx

Prof. António Vasconcelos
Em seus estudos sobre as transformações sociais, Marx também analisou a Revolução Francesa, mas a considerou puramente política, já que não alterou substancialmente a vida dos que nada tinham. De acordo com ele, apesar de ter sido fundamental para o fim do feudalismo, essa revolução foi parcial, pois, realizada por uma minoria, não emancipou a sociedade toda.
Para Marx o radicalismo de uma revolução está no fato de ela ser realizada por que é a maioria na sociedade. Só uma classe capaz de representar os interesses de libertação para todos pode libertar uma transformação, pois esta é sempre o resultado dos conflitos entre as classes fundamentais da sociedade. No capitalismo essas classes são a burguesia e o proletariado pode transformar essa sociedade.   
            Mas para que a teoria marxista atribuía ao proletariado o poder revolucionário? O sociólogo Francês Robert Castel  esclarece isso no seu livro As Metamorfoses da questão social: “A constituição de uma força de contestação e de transformação social supõe a reunião de pelo menos três condições: uma organização estruturada em torno de uma condição comum, a posse de um projeto alternativo de sociedade, o sentimento de ser indispensável para o funcionamento da máquina social. Se a história social gravitou durante mais de um século em torno da questão operaria, é porque o movimento operário realizava a síntese dessas três  condições: tinha seus militantes e seus aparelhos, era portador de um projeto de futuro, e era o principal produtor da riqueza social na sociedade industrial”.
            Entretanto, para Marx, a transformação não parte do zero. Ela sempre nega e supera uma situação anterior; os participantes de uma revolução utilizam a cultura e as tecnologias transmitidas pelas gerações anteriores para criar novas formas de organização produtiva e política. As transformações sempre incorporam alguma coisa do passado. A parte do passado que é incorporada e a maneira como isso ocorre muitas vezes condicionam o resultado das mudanças futuras. Há um processo de continuidade e ruptura que depende das forças sociais em conflito. Átis forças definem o que será preservado e o que será abandonado.
Marx destacou que na atividade revolucionária os indivíduos se transformam para mudar as condições sociais em que vivem. Observou, ainda, que as revoluções só seriam possíveis por meio da violência, a “parteira da história”, pois os que detinham o poder jamais abririam mão dele e de seus privilégios pacificamente.  

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Que foi a Revolução Francesa para Karl Marx?
2.      Como acontecerá a mudança social?
3.      Que poder tem o proletariado e a burguesia?
4.      Cite as três condições de mudança social e suas características?(Castel)
5.      Como se dará a transformação social para Marx?





 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, DÉCIMA PRIMEIRA

MUDANÇA SOCIAL E SOCIOLOGIA. Pouso Alegre, 14 (sexta feira) de Outubro.

XI – Émile Durkheim

Outro autor clássico a Sociologia, Durkheim procurou analisar a questão da mudança social. Ele observou que, na história das sociedades, houve uma evolução da solidariedade mecânica para a orgânica por causa da crescente divisão do trabalho. Isso se deveu a fatores demográficos: o crescimento populacional, que gerava uma concentração de pessoas em determinados territórios, ocasionava intensidade de interações, complexidade de relações sociais de relações sociais e aumento da qualidade de vínculos sociais. Essa divisão dicotômica e evolutiva pode ser resumida no quadro a seguir, elaborada pelo sociólogo polonês Piotr Sztompka, em sua obra A sociologia da mudança social. Mudança social:

Característica
Solidariedade mecânica
Solidariedade orgânica
Caráter das atividades
Similar, uniforme
Altamente diferenciada
Principal vínculo social
Consenso moral e religioso
Complementaridade e dependência mútua.
Posição do indivíduo
Coletivismo, com ênfase no grupo
Individualismo, com ênfase em indivíduos autônomos.
Estrutura econômica
Grupos isolados, autárquicos, autos suficientes.
Divisão do trabalho, dependência mútua entre grupos, intercâmbio.
Controle social
Leis repressivas para a punição de ofensas (Direito Criminal)
Leis restritivas para a salvaguarda de contratos (Direito Civil).




Como pode perceber, a maior preocupação de Durkheim eram as questões que envolviam a integridade e as formas com ela ocorria em cada tipo de sociedade.

Características e diferenças das sociedades: Tradicionais e Modernas
Particulares
Universalismo
Orientações para a atribuição
Orientação para a realização
Difusão funcional
Especificidade funcional
Pouca movimentação para o desempenho
Muita motivação para o desempenho
Nenhuma abertura à experiência
Grande abertura à experiência
Hierarquia profissional
Especificação profissional
Pouca imaginação
Pequena  mobilidade social
Resistência às mudanças
Muita imaginação criadora
Grande mobilidade social
Abertura às mudanças

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Cite as características da solidariedade mecânica?
2.      Cite as características da solidariedade orgânica?
3.      Cite as características das sociedades tradicionais?
4.      Cite as características das sociedades modernas?
5.      Qual a maior preocupação de Durkheim?
6.      Que aconteceu com história dos povos?





SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, DÉCIMA SEGUNDA

SOCIOLOGIA E SOCIEDADE. Pouso Alegre, 21 (sexta feira) de outubro.

XII – Max Weber.

Prof. António Vasconcelos

Weber analisou a mudança social relacionada ao nascimento da sociedade capitalista. Além das condições econômicas, procurou centrar sua analise no pleno das ideias, das crenças e dos valores que permitiram a mudança.
No livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo” (1904-1905), Weber desenvolveu a ideia de que a ética protestante foi fundamental para a existência do capitalismo, pois propiciou maior acumulação de capital ao valorizar o trabalho e um modo de vida disciplinada, responsável e racional, sem gastos ostentatórios. Ele enfatizou o esforço individual dos capitalistas, que procuravam utilizar o calculo racional para garantir a eficiência na produção de mercadorias, tendo por objetivo o ganho monetário. Os trabalhadores, por sua vez, passaram a ver o trabalho como um valor em si mesmo. Assim, além das condições econômicas, determinadas idéias e valores explicariam por que só no Ocidente desenvolveu-se o capitalismo.
Weber também analisou a mudança social com base em tipos ideias de ação e de dominação. Dessa perspectiva, as sociedades caracterizadas por ação efetiva e dominação tradicional passariam por outras combinações de tipos de ação e de dominação até chegarem a formas sociais com o predomínio da ação racional vinculadas a fins e dominação legal-burocrática. Haveria, então, tendência a um aumento na racionalização das ações sociais e na burocratização da dominação. Para Weber, a burocratização crescente seria um entreve a qualquer processo de mudança social. Em uma sociedade administrada por diversos instrumentos controladores, a mudança estaria sempre limitada pela ação burocrática.
  Revolução. Podemos dizer que o termo revolução para nos prefiro aos grandes processos que alteraram substancialmente a vida da humanidade. São bons exemplos desses processos a Revolução Agrícola que transformou radicalmente a forma de produção de alimentos das populações humanas, e a Revolução Industrial, que mudou a forma de produção de bens.

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Que tratou o livro A ética protestante e o espírito do capitalismo?
2.      Como ele analisou a mudança social?
3.      Qual o papel da revolução Francesa?
4.      Que é a burocratização?
5.      Que é revolução? Quais?
6.      Quais as bases da analise da mudança social?



 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, DÉCIMA TERCEIRA AULA

REVOLUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL. Pouso Alegre, 28 (sexta feira) de Outubro.  Prof. António Vasconcelos.

XIII – O termo revolução na história – Annah Arendt.  

Hoje, estamos participando da terceira grande Revolução mundial baseada na informática, na engenharia genética e na nanotecnologia, pesquisa e produção no nível do átomo, que estão alterando profundamente a maneira de produzir e de viver.
Utilizamos também o termo revolução para designar os processos de mudança de rumo político em uma sociedade ou em varias delas. Nesse ponto há que diferenciar as revoluções que ocorreram no século XVIII e podem ser chamadas de burguesas, porque foram movimentos liberados pela burguesia ascendente, e as que eclodiram no século XX, consideradas populares, porque tiveram uma participação significativa do povo.    
O terno revolução na história. A palavra revolução originou-se provavelmente da astronomia e partir da teoria heliocêntrica (diferente de geocêntrica) de Copérnico [...]. No seu uso cientifico o termo reteve o seu significado original latino, designando o movimento rotativo, regular e inexorável dos astros. [...] No século dezessete encontramos pela primeira vez a utilização política da palavra, mas o conteúdo metodológico ainda estava ao sentido original, o movimento de retornar a um ponto preestabelecido. A palavra foi primeiramente usada na Inglaterra não para designar a assunção de Cromwell ao poder (a primeira ditadura revolucionária), mas ao contrário, depois da queda do déspota por ocasião da restauração da monarquia.
Podemos precisar o exato instante em que a palavra revolução foi utilizada no sentido de mudança irresistível e não mais como um movimento recorrente. Foi durante a noite de 14 de julho de 1789 em Paris, quando Luiz XVI ouviu de um emissário que a Bastilha havia caio. “É uma revolta”, disse o réu. Ao que o mensageiro retrucou: “Não, majestade, é uma revolução”.
            Nas décadas seguintes confirmou-se um quadro de que as revoluções não são feitas de homens isolados, mas resultado de um processo incontestável do qual os homens são partes. E foi somente na metade do século dezenove que Proudhon cunhou a expressão “revolução permanente” e com ela trouxe o conceito de que não existem revoluções, mas um só, tal e perpétua. Teoricamente, a conseqüência mais ampla da Revolução Francesa foi o nascimento da noção de História e do processo dialético, da filosofia de Hegel. Foi a Revolução francesa e não a Americana que incentivou o mundo e foi consequentemente dela e não do curso dos acontecimentos na America que a presente conotação da palavra ganhou o formato atual. Neste século as ocorrências revolucionárias passaram a ser examinadas dentro dos padrões e em termos de necessidades históricas.      

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Que é a terceira revolução e quais as suas características?
2.      Que significa revolução política?
3.      Qual a origem da palavra revolução?
4.      Faça uma linha cronológica da palavra revolução?
5.      Que é a teoria heliocêntrica? 
6.      Que a teoria geocêntrica? 
7.      Que é processo dialético?



 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, DÉCIMA QUARTA AULA

TRABALHO NA SOCIEDADE CAPITALISTA. Pouso Alegre, 4 (sexta feira) de  Novembro. Prof. António Vasconcelos.

XIV – Karl Marx e a divisão social do Trabalho

Para Karl Marx, a divisão social do trabalho é realizada no processo de desenvolvimento das sociedades. Ele quer dizer que, conforme buscamos atender a nossas necessidades, estabelecemos relações de trabalho e maneiras de dividir as atividades. Por exemplo: nas sociedades tribais, a divisão era feita com base nos critérios de sexo e idade; quando a agricultura e o pastoreio começaram a ser praticados, as funções se dividiram entre quem planta, quem cuida dos animais e quem caçava ou pescava.
Com a formação das cidades, houve uma divisão entre trabalho rural (agricultura -  e trabalho urbano (comercio e industria). Desenvolvimento da produção e seus excedentes deram lugar a uma nova divisão entre quem administra – o diretor ou gerente – e quem executava – o operário. Aí está a semente da divisão em classes, que existe em todas as sociedades modernas. Para Marx, portanto, a divisão social do trabalho numa sociedade gera a divisão em classe.
Com o surgimento das fábricas, apareceu também o proprietário das maquinas e, conseqüentemente, quem paga salário do operador das máquinas. A mecanização revolucionou o modo de produzir mercadorias, nas também colocou o trabalhador debaixo de suas ordens. Ele começa a servir a máquina, pois o trabalho passou ter mais conhecimentos; bastava saber operá-la. Sendo um operador de máquinas eficiente, o trabalho seria bom e produtivo. Subordinado à máquina e ao proprietário dela, o trabalhador só tem, segundo Marx, sua força de trabalho para vender, mas, se não vendê-la, o empresário também não terá quem opere as máquinas. É o que Marx chama de relação entre dois iguais. Ou seja, uma relação entre proprietários de mercadorias, mediante a compra e a venda da força de trabalho.       
            Vejamos como isso acontece. Ao assinar o contrato, o trabalhador aceita trabalhar por exemplo, oito horas diárias, ou 40 horas semanais, por determinado salário. O capitalista passa, a partir daí, a ter o direito de utilizar essa força de trabalho no interior da fábrica. O que acontece, na realidade, é que o trabalhador, em quatro ou cinco horas de trabalhos diárias, por exemplo, já produz o referente ao valor total do salário; as horas restantes são apropriadas pelo capitalista. Isso significa que, diariamente, o empregado trabalha três a quatro horas para o dono da empresa, sem receber pelo que produz. O que se produz nessas horas a mais é o que Marx chama de mais-valia.
As horas trabalhadas e não pagas, acumuladas reaplicadas no processo produtivo, vão fazer com que o capitalista enriqueça rapidamente. E assim, todos os dias, isso acontece nos mais variados pontos do mundo: uma parcela significativa do valor do trabalho produzido pelos trabalhadores é apropriada pelos capitalistas. Esse processo chama-se acumulação de capital.

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Qual a relação entre operador da máquina, capitalista e o empregado?
2.      Que é relação entre os iguais?
3.      Como é a divisão do trabalho nas fabricas?
4.      Como é a divisão do trabalho nas cidades?
5.      Como é a divisão do trabalho nas sociedades tribais?
6.      Que é mais-valia?
7.      Que é acumulação de capital?



SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, DÉCIMA QUINTA AULA

TRABALHO NA SOCIEDADE MODERNA CAPITALISTA. Pouso Alegre, 11 (sexta feira) de Novembro. Prof. António Vasconcelos.

XV – Karl Marx e a divisão do trabalho – continuação.

No processo de extração da mais-valia, os capitalistas utilizam duas estratégias: aumentam o número de horas trabalhadas contratando mais trabalhadores ou ampliando as horas de trabalho, gerando a mais-valia absoluta; introduzem diversas tecnologias e equipamentos visando aumentar a produção com o mesmo número de trabalhadores (ou até menos), elevando a produtividade do trabalho, mas mantendo o mesmo salário, gerando assim, a mais-valia relativa.
            A jornada de trabalha no capitalismo no século XIX. “Que é uma jornada de trabalho?” De quanto é o tempo durante o qual o capital pode consumir a força de trabalho, cujo valor diário ele paga? Por quanto tempo pode ser prolongada a jornada de trabalho, além do tempo de trabalho necessário à reprodução dessa mesma força de trabalho?a essas perguntas, viu-se que responde: a jornada de trabalho compreende diariamente as 24 horas completas, depois de descansar as poucas horas de descanso, sem as quais a força de trabalho fica totalmente impossibilitada de realizar novamente sua tarefa. Entende-se por si, desde logo, que o trabalhador, durante toda a sua existência, nada mais é que força de trabalho e que, todo o seu tempo disponível é por natureza e por direito tempo de trabalho, portanto, pertencente à autovalorização do capital. Tempo para educação humana, para o desenvolvimento intelectual, para o preenchimento de funções sociais, para o convívio social, para o jogo livre das forças vitais físicas e espirituais, mesmo o tempo livre do domingo – e mesmo  no país  do sábado santificado – pura futilidade! [.....] Em vez de conservação normal da força de trabalho determinar aqui o milite da jornada de trabalho é, ao contrário, o maior dispêndio possível da força de trabalho que determina, por mais penoso e doentiamente violento, o limite do tempo de descanso do trabalhador. O capital não se importa com a duração de vida da força de trabalho. O que interessa a ele, pura e simplesmente, é um maximum de força de trabalho que em uma jornada de trabalho poderá ser feita fluir. [....].  
A produção capitalista, que é essencialmente produção de mais-valia, absorção de mais-trabalho, produção, portanto, com o prolongamento da jornada de trabalho não apenas a atrofia da força de trabalho, a qual é roubada de suas condições normais, morais e físicas, de desenvolvimento e atividade. Ela produz a exaustão prematura e o aniquilamento da própria força de trabalho. Ela prolonga o tempo de produção do trabalhador num prazo determinado mediante o encurtamento de seu tempo de vida”. (Marx, Karl. O Capital: crítica da economia política). 

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Que é mais-valia absoluta?
2.      Que é mais-valia relativa?
3.      Quais as conseqüências da jornada de trabalho na época de Marx?
4.      Hoje ainda existem trabalhadores sendo explorados pela força de trabalho? Porque?
5.      O autor apresenta um modelo de jornada de trabalho? Qual?





 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, DÉCIMA SEXTA AULA

TRABALHO NA SOCIEDADE MODERNA CAPITALISTA. Pouso Alegre, 18 (sexta feira) de Novembro.

XVI – Émile Durkheim e a coesão social. Solidariedade orgânica e mecânica
Prof. António Vasconcelos


Émile Durkheim analisa as relações de trabalho na sociedade moderna de forma diferente da de Marx. Em seu livro Da divisão do trabalho social, escrito no final do século XIX, procura demonstrar que a crescente especialização do trabalho promovida pela produção industrial moderna trouxe uma forma superior de solidariedade e não de conflito. 
Para Durkheim, há duas formas de solidariedade: a mecânica e a orgânica. A solidariedade mecânica é mais comum nas sociedades menos complexas, nas quais cada um sabe fazer quase todas as coisas de que necessita para viver. Nesse caso, o que une as pessoas não é o fato de uma depender do trabalho da outra, mas a aceitação de um conjunto de crenças, tradições e costumes comuns.
Já a solidariedade orgânica é fruto da diversidade entre os indivíduos, e não da identidade das crenças e ações. O que os une é a interdependência das funções sociais, ou seja, a necessidade que uma pessoa tem da outra, em virtude da divisão do trabalho social existente na sociedade. É o que exemplificamos na aula anterior.
Com base nessa visão, na sociedade moderna, a coesão social seria dada pela divisão crescente do trabalho. A divisão do trabalho produz a solidariedade.  
A divisão do trabalho social cria a solidariedade. “Bem diverso [da solidariedade mecânica] é o caso da solidariedade produzida pela divisão do trabalho. Enquanto a precedente implica que os indivíduos se assemelham, está supõe que eles diferem uns dos outros. A primeira só é possível na medida em que a personalidade individual é absorvida na personalidade coletiva; a segunda só é possível se cada um tiver uma esfera de ação própria, por conseguinte uma personalidade. É necessário, pois, que a consciência coletiva deixe descoberta uma parte da consciência individual, para que nela se estabeleçam essas funções especiais que ela não pode regulamentar; e quanto mais essa região é extensa, mais forte é a coesão que resulta dessa solidariedade. De fato, de um lado, cada um depende tanto mais estreitamente da solidariedade quanto, mais dividido for o trabalho nela e, de outro, a atividade de cada um é tanto mais pessoal quanto mais for especializada. A individualidade do todo aumenta ao mesmo tempo, que a das partes; a sociedade torna-se mais capaz de se mover em conjunto, ao mesmo tempo em que cada um de seus elementos tem  mais movimentos próprios. Propomos chamar de orgânica a solidariedade divida à divisão do trabalho”. (GURKHEIM, Émile. Da divisão social do trabalho).

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Qual a diferenças da divisão do trabalho de Durkheim para Marx?
2.      Quais as características da sociedade orgânica e da sociedade mecânica?
3.      Quais as características da solidariedade mecânica?
4.      Quais as características da solidariedade orgânica?
Lei de Diretrizes de Bases da Educação NacionalLei nº 9394 de 20/12/1996. Inciso IV, art. 36. “Serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as Séries do Ensino Médio”. (incluído pela lei nº 11.684, de 2008).




 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, DÉCIMA SÉTIMA AULA

O TRABALHO NAS DIFERENTES SOCIEDADES. Pouso Alegre, 25 (sexta feira) de Novembro. António Vasconcelos.

XVII – Exemplos de divisão orgânica do trabalho. A aula está no final de todas.

Em nossa sociedade, a produção de cada objeto envolve uma complexa rede de trabalho e de trabalhadores. Vamos tomar como exemplo um produto que faz parte do dia a dia de grande número de pessoas: pãozinho de água e sal. Os ingredientes básicos para fazer um pãozinho são o trigo, a água, o sal, e o fermento. Para que haja trigo é necessário que alguém o plante e o colha; é preciso que haja moinho para moê-lo e comercialização para que chegue até a padaria. Esse mesmo processo serve para o sal, que deve ser retirado do mar; processando e embalando. O fermento é produzido em outras empresas por outros trabalhadores, com outras matérias primas. A água precisa ser captada, tratada e distribuída, o que exige uma complexa intra-estrutura com grande número de trabalhadores. São necessários equipamentos, com máquina para preparar a massa e o forno para assar o pão, fabricados em indústrias que, por sua vez, empregam outras matérias-primas e trabalhadores.
É necessário algum tipo de energia proporcionada pelo fogo (e isso exige madeira ou carvão) ou energia elétrica (que é gerada em hidroelétricas ou termoelétricas). As usinas de energia, por sua vez, precisam de equipamentos, linhas de transmissão e trabalhadores para fazer tudo isso acontecer.   
Na ponta de todo esse trabalho, estão as padarias, mercadinhos e supermercados, onde o pãozinho finalmente chega às mãos do consumidor.
Se para comer um simples pão há tanta gente envolvida, direta e indiretamente, você pode imaginar quanto trabalho é necessário para a fabricação do ônibus, da bicicleta ou do automóvel, para a construção da casa em que você vive, ou da escola onde estuda.
Essa complexidade das tarefas relacionadas à produção é uma característica da nossa sociedade.
A produção nas sociedades tribais. As sociedades tribais diferenciam-se umas das outras em muitos aspectos, mas pode-se dizer, em termos gerais, que não são estruturadas pelas  atividades que nossa sociedade denominamos trabalho. Nelas todos fazem quase tudo, e as atividades relacionadas à obtenção do que as pessoas necessitam para se manter – caça, coleta, agricultura e criação – estão associadas aos ritos e mitos, ao sistema de parentesco, às festas e às artes, integrando-se, portanto, a todas as esferas da vida social. 
            Escravidão servidão. O termo trabalho pode ter nascido do vocábulo latino tripallium, que significa “instrumento de tortura”, e por muito tempo esteve associado à idéia de atividade penosa e torturante. Na sociedade grega e romana era a mão de obra escrava que garantia a produção suficiente para suprir as necessidades da população. Existiam outros trabalhadores além dos escravos, como os meeiros, os artesões e os camponeses. No entanto, mesmo os trabalhadores livres eram explorados e oprimidos pelos senhores e proprietários. Esses eram desobrigados de qualquer atividade exceto a de discutir os assuntos da cidade e o bem-estar dos cidadãos.   

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Faça a relação da produção do pãozinho com a solidariedade orgânica?
2.      Quais as características do trabalho nas sociedades tribais?
3.       



 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, DÉCIMA OITAVA AULA

O TRABALHO NAS DIFERENTES SOCIEDADES. Pouso Alegre, 2 (sexta feira) de Dezembro. António Vasconcelos.

XVIII – .Labor, Poiesis, Práxis ......

4.      Que significa o termo trabalho? 5. Trabalho nas soc. tribais e solidariedade mecânica?
5.      Quem são trabalhadores na sociedade romana e grega?


Labor, poiesis e práxis. Os gregos distinguiam claramente a atividade braçal de quem cultiva a terra, a atividade manual do artesão e a atividade do cidadão (morador da cidade) que discute e procura soluções para os problemas da cidade. De acordo com a filósofa alemã Hanna Arendt (1906-1975), os gregos utilizam os termos labor, poiesis e práxis para expressar suas três concepções para a idéia de trabalho:
O labor é o esforço físico voltado para a sobrevivência do corpo, sendo, portanto, uma atividade passiva e submissa ao ritmo da natureza. O exemplo mais claro dessa atividade é o cultivo da terra, pois depende de forças que o ser humano não pode controlar, como o clima e as estações.
Poiesis corresponde ao fazer, ao ato de fabricar, de criar algum produto mediante o uso de um instrumento ou mesmo das próprias mãos. O produto desse trabalho muitas vezes subsiste à vida de quem o fabrica, tem um tempo de permanência maior que o de seu produtor. O trabalho do artesão ou do escultor se enquadraria nessa concepção.  
A práxis é a atividade que tem a palavra como principal instrumento, isto é, utiliza o discurso como meio para encontrar soluções voltadas para o bem-estar dos cidadãos. É o espaço da política, da vida pública. 
Nas sociedades feudais, como no mundo grego-romano, havia também aqueles que trabalhavam – os escravos, os camponeses livres e os aldeões – aqueles que viviam do trabalho dos outros – os senhores feudais e os membros do clero. A terra era o principal meio de produção, e os trabalhadores tinham direito a seu usufruto e ocupação, mas nunca à propriedade. Muitos trabalhavam em regime de servidão, no qual não gozavam de plena liberdade, mas também não eram escravos. Prevalecia um sistema de deveres do servo para com o seu senhor e deste para com aquele. Além de cultivar as terras a ele destinadas, o servo era obrigado a trabalhar nas terras do senhor, bem como na construção e manutenção de estradas e pontes. Essa obrigação se chamava de corvéia devia também ao senhor a talha, uma taxa que se pagava sobre tudo o que se produzia na terra e atingia todas as categorias dependentes. Outra obrigação devida ao senhor pelo servo eram as banalidades, pagas pelo uso do moinho, do formo, dos torneis de cerveja e pelo fato de, simplesmente, residir na aldeia. Essa obrigação era extensiva aos camponeses.
O mercantismo: sistema de cooperativas e manufaturas: trabalhador coletivo e o capitalismo: maquinofatura. O trabalhador estava livre, quer dizer, não era mais escravo nem servo, mas trabalhada mais horas do que antes. Para Max Weber, em seu livro História econômica, publicado em 1923, afirma que isso era necessário para que o capitalismo existisse. O trabalhador era livre apenas legalmente porque, na realidade, via-se forçado, pela necessidade e para não passar fome, a fazer o que lhe impunham.

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Que é labor? Que é Poiesis? Que é Práxis?
2.      Que é corvéia?
3.      Que é talha?
4.      Que são banalidades?
5.       5. No capitalismo o homem é livre? Mas...?




 
SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, DÉCIMA NONA AULA

O PODER E O ESTADO. Pouso Alegre, 9 (sexta feira) de Dezembro.

XIX -  As teorias sociológicas clássicas sobre o Estado: Karl Marx.

Prof. António Vasconcelos.

Marx, Durkheim e Weber, os três autores clássicos da Sociologia, tiveram cada um a seu modo, uma vida política intensa e fizeram reflexões importantes sobre o Estado e a democracia de seu tempo.
Karl Marx. Tendo nascido sobre as questões que envolvem o Estado num período em que o capitalismo ainda estava em formação, Marx não formulou uma teoria especifica sobre o Estado e o poder. Num primeiro momento, ele se aproximou da concepção anarquista, definindo o Estado como uma entidade abstrata, em contradição com a sociedade. Seria uma comunidade ilusória, que procuraria conciliar os interesses de todos, mas principalmente daqueles que dominavam economicamente a sociedade.  
No livro “A ideologia alemã, escrito em 1847 em parceria com Friedrich Engels, Marx identificou a divisão do trabalho e a propriedade privada, geradoras de classes sociais, como a base do surgimento do Estado, que seria a expressão jurídico-política da sociedade burguesa. A organização estatal apenas garantiria as condições gerais da produção capitalista, não interferindo nas relações econômicas. Em 1848, no Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmaram que os dirigentes modernos funcionavam como um comitê executivo da classe dominante (burguesia).
Nos livros escritos entre 1848 e 1852, “As lutas de classe na França” e “O dezoito brumário de Luiz Bonaparte”, analisando uma situação histórica especifica, Marx declara que o Estado nasceu para refrear os antagonismos de classes, e, por isso, é o Estado da classe dominante. Mas existem momentos em que a luta de classe é equiparada e o Estado se aproxima com independência entre as classes em conflito, como se fosse um mediador. 
Analisando a burocracia estatal, Marx afirma que o Estado pode ser acima da luta de classe, separado da sociedade, como se fosse autônomo. E nesse sentido que pode haver um poder que não seja exercido diretamente pela burguesia. Mesmo dessa forma, o Estado continua criando as contradições necessárias para o desenvolvimento das relações capitalistas, principalmente o trabalho assalariado e a propriedade privada.
No livro “A guerra civil na França”, escrito em 1871, Marx analisa a Comuna de Paris e volta a olhar a questão do Estado de uma perspectiva que se aproxima da anarquia. O desaparecimento do Estado seria resultante do poder para a federação de associações dos trabalhadores.    
Para Karl Marx o Estado é, portanto, uma organização cujos interesses são os da classe dominante na sociedade capitalista: a burguesia.

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.  
1.      Quais as cinco definições de Estado?
2.      Quais as características negativas e positivas do Estado?
3.      Como surgiu o Estado?
4.      Cite os títulos dos livros?
5.      Que acontecerá com o desaparecimento do Estado?





SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, VIGÉSIMA AULA

O PODER E O ESTADO. Pouso Alegre, 16 (sexta feira) de Dezembro.

XX -  As teorias sociológicas clássicas sobre o Estado: Émile Durkheim.

Prof. António Vasconcelos. vigézima


Ao analisar a questão política e do Estado, Durkheim teve como referencia fundamental a sociedade francesa de seu tempo. Como sempre preocupado com coesão social, inseriu-a de forma clara na questão. Para ele, o Estado é fundamental numa sociedade que fica cada dia maior e mais complexa, devendo estar acima das organizações comunitárias.  
Durkheim dizia que o Estado “concentrava e expressava a vida social”. Sua função seria eminentemente moral, pois ele deveria realizar e organizar o ideário do indivíduo e assegurar-lhe pleno desenvolvimento. E isso se faria por meio da educação pública voltada para uma formação moral sem fins conceituais ou religiosos. De acordo com o sociólogo, o Estado não e antagônico (contrário) ao indivíduo. Foi o Estado que emancipou o indivíduo do controle despótico e imediato dos grupos secundários, como a Família, a Igreja e as corporações profissionais, dando-lhe um espaço mais amplo para o desenvolvimento de sua liberdade.
Para Durkheim, na relação entre o Estado e os indivíduos, é importante saber como os governantes se comunicam com os cidadãos, para que estes acompanhem as ações do governo. A intermediação deve ser feita por canais como os jornais e a educação cívica ou pelos órgãos secundários que estabelecem a ponte entre os governantes e governados, principalmente os grupos profissionais organizados, que são a base da representação política e da organização social
Quando se refere aos sistemas eleitorais, Durkheim critica os aspectos numéricos do que se entende por democracia. Tomando como exemplo as eleições de 1893 na França, declara que havia no país, naquele ano, 38 milhões de habitantes. Tirando as mulheres, as criança, os adolescentes, todos os que eram impedidos de votar pó alguma razão, apenas 10 milhões eram eleitores. Desses 10 milhões, foram votar em torno de 7 milhões. Os deputados eleitos, ou seja, os vencedores das eleições somaram 4.592,000 de votos os que não venceram tiveram 5.930,000, número superior ao dos vencedores. Conclui Durkheim, “[...] se nos ativermos às considerações numéricas, será preciso dizer que nunca houve democracia”.               
            Para Durkheim, portanto, o Estado é uma organização com um conteúdo inerente, ou seja, os interesses coletivos.

Estado e interesses coletivos. “Como é necessário haver uma palavra para designar o grupo especial de funcionários encarregados de representar essa autoridade [a “autoridade soberana” a cuja ação os indivíduos estão submetidos], conviremos em reservar para esse uso a palavra Estado. Sem dúvida é muito freqüente chamar-se de Estado não o órgão governamental, mas a sociedade política em seu conjunto, o povo governado e seu governo juntos, e nós mesmos empregamos a palavra esse sentido. [...]

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Quais as características do Estado?
2.      Qual a relação entre Estado e Indivíduos?
3.      Conceitue Estado?
4.      Há democracia no Estado?
5.      Palavra “Estado” é usada com frequência como?



 



SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, VIGÉSIMA PRIMEIRA

O PODER E O ESTADO.

XX-  As teorias sociológicas clássicas sobre o Estado: Durkheim e Max Weber.

Prof. António Vasconcelos
Eis o que define Estado. É um grupo de funcionários sui generis, no seio do qual se elaboram representações e volições que envolvem a coletividade, embora não sejam obra da coletividade. Não é correto dizer que o Estado encerra a consciência coletiva, pois esta transborda por todos os lados. É em grande parte difusa; a cada instante há uma infinidade de sentimentos sociais, de estados sociais de todo o tipo de que o Estado só percebe o eco enfraquecido. Ele só é a sede de uma consciência especial, restrita, porém mais elevada, mas clara, que tem de si mesma um sentimento mais vivo”. ( DURKHEIM, Émile. Lições de Sociologia).         
            Cinquenta  anos depois da publicação do Manifesto Comunista por Marx e Engels, num momento em que o capitalismo estava mais desenvolvido e burocratizado, Weber escreveu sobre as questões do poder e da política. Questionava: como será possível o indivíduo manter sua independência diante dessa total burocratização da vida? Esse foi o tema central da Sociologia, política weberiana.
Se Durkheim tinha como foco a sociedade francesa, Weber manifestava uma ocupação especifica com a estrutura política alemã, mas levava em conta também o sistema político dos Estados Unidos e da Inglaterra. Além disso, estava atento ao que acontecia na Rússia, principalmente após a revolução de 1905.
Para ele, na Alemanha unificada por Otto Von Bismarck, o Estado era fundamentado nos seguintes setores da sociedade: o Exercito, os junkers (grandes proprietários de terras), os grandes industriais e a elite do serviço público (alta burocracia). Em 1917, escrevendo sobre Bismarck, dizia que este havia deixado uma nação sem educação e sem vontade política, acostumada a aceitar que o grande líder decidisse por ela. Ao analisar o Estado Alemão, Weber afirma que o verdadeiro poder estatal está nas mãos da burocracia militar e civil. Portanto, para ele, o “Estado é uma relação de homens dominando homens”, mediante a violência, considerada legítima, e “uma associação compulsória que organiza a dominação”. Para que essa relação exista, é necessário que os dominados obedeçam à autoridade dos que detém o poder. Mas o que legitima esse domínio? Para Weber há três formas de dominação legítima:
a)      A tradicional, a carismática e a legal. A dominação tradicional é legitimada pelos costumes, normas e valores tradicionais e pela “orientação habitual para o conformismo”. É exercida pelo patriarca ou pelos princípios patrimoniais.

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1. Que é a consciência coletiva?
2. Que é Estado? Para Durkheim
3. Que é Estado para Max Weber?
4. Qual o tema central da Sociologia política de Marx Weber?
5. Quais as características do Estado para Weber?
6. Escreva a forma de dominação legitima dos que detém o poder.




 


SEGUNDA SÉRIE, SEGUNDO SEMESTRE- 2011, VIGÉSIMA SEGUNDA

O PODER E O ESTADO.

XX - As teorias sociológicas clássicas sobre o Estado:  Max Weber.
Prof. António Vasconcelos.

a)      A dominação carismática está fundada na autoridade do carisma pessoal (o “dom da graça”), da confiança na revelação, do heroísmo ou de qualquer qualidade de liderança individual. É exercida pelos profetas das religiões, líderes militares, heróis revolucionários e líderes de um partido.
c) A dominação legal é legitimada pela legalidade que decorre de um estatuto, da competência funcional e de regras racionalmente criadas. Está presente no comportamento dos ”servidores do Estado”.
Para Max Weber, portanto, o Estado é uma organização sem conteúdo inerente; apenas mais uma das muitas organizações burocráticas da sociedade.             
Estado e política. “’Todo o Estado se funda na força’, disse Trostski em Brest-Litovsk. Isso é realmente certo. Se não existissem instituições sociais que conhecessem o uso da violência, então o conceito de “Estado” seria eliminado, e surgiria uma situação que poderíamos designar como “anarquia”, no sentido especifico da palavra. [...] Hoje, porém, temos de dizer que o Estado é uma comunidade humana que pretende, com êxito, o monopólio do uso legítimo da força física dentro de um determinado território. [...] o Estado é considerado como a única fonte do “direito” de usar a violência. Daí “política”, para nós, significa a participação no poder ou a luta para influir na distribuição do poder, seja entre Estados ou entre grupos dentro de um Estado”. (WEBER, Max. Ensaios de Sociologia).   

Atividade: (escrever as perguntas e respostas no caderno. Será dado o visto na próxima aula). Serão escolhias para nossa prova.
1.      Escreve as formas de dominação de quem tem o poder?
2.      Em que se funda o Estado?
3.      Cite os conceitos de Estado?
4.      Que é política?



 





Um comentário:

  1. Olá profa. Magna, ótima fonte de pesquisa seu portal de geo.
    Indicarei para meus alunos.

    Êxito em sus projetos!
    Obrigado
    Prof. Manuel Raposo
    http://sociologia-sempre.blogspot.com.br/

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